Paróquia

Santa Rosa de Lima

Notícias da paróquia › 06/04/2018

Cristo Ressuscitado diz não à violência e vence a morte.

Estimados irmão e irmã dizimistas, saúdo-os na alegria do Ressuscitado!

“Os discípulos alegraram-se por ver o Senhor” (Jo 20,20), é assim que o evangelista São João descreve o sentimento dos discípulos de Jesus quando eles se dão conta da ressurreição. A narrativa bíblica diz que até aquele momento eles estavam dominados pelo temor, pois todos testemunharam a prisão, condenação e morte de Jesus. Os discípulos estavam fragilizados não apenas pelo medo de que pudesse acontecer o mesmo a eles, mas também porque os acontecimentos foram muito frustrantes e impactantes, no seu primeiro momento, conforme acompanhamos em outra passagem bíblica que diz: “Nós esperávamos que fosse Ele quem iria libertar Israel” (Lc 24,21). Diante de uma situação de grande dor e sofrimento, a alegria chega com uma intensidade maior.

Se quisermos trazer a mensagem bíblica que fundamenta a esperança e alegria quando enfrentamos grande decepção e sofrimento, teremos certamente muitos fatos que podem ser vivenciados a partir dessa perspectiva de fé. Em nosso país, cuja violência há muito já foi banalizada e diariamente acompanhamos notícias de desrespeito à vida e à dignidade humana, não podemos esquecer que a esperança faz parte da nossa experiência religiosa. Contra todas as evidências e lógicas humanas está a nossa fé, que não nos deixa esmorecer e ajuda a enfrentar com coragem cada situação.

No mês passado, em plena quaresma, quando refletíamos sobre o material da Campanha da Fraternidade (Fraternidade e Superação da Violência / Vós Sois Todos Irmãos), acompanhamos mais um acontecimento violento, cuja repercussão ultrapassou as fronteiras na nação brasileira, enfatizando a imagem de um país violento, para nossa tristeza e vergonha. Segundo Atlas da Violência 2017, enfrentamos hoje a triste realidade de uma “juventude perdida”, uma vez que, “desde 1980, está em curso no país um processo gradativo de vitimização letal da juventude, em que os mortos são jovens cada vez mais jovens. De fato, enquanto no começo da década de oitenta o pico da taxa de homicídio se dava aos 25 anos, atualmente esse gira na ordem de 21 anos”. Não temos motivo para nos alegrarmos quando paramos para pensar nessa situação que diz respeito a todo o povo brasileiro, entretanto, devemos reagir e nossa reação, enquanto cristãos, parte da consciência de que todos nós temos direito à vida e ao respeito à dignidade humana, “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Quando estava para ser preso, Jesus freou o impulso dos discípulos que queriam reagir com violência contra os servos do sumo sacerdote e curou a orelha decepada de Malco (cf. Lc 22,49-51).

Toda ação que não vem de Deus quer causar um impacto negativo na vida das pessoas. Um impacto que desequilibra, desorienta e pode desencadear uma situação caótica, confusa e incontrolável. Por isso mesmo, devemos dialogar com Deus sobre o que está acontecendo. Um diálogo que busque uma compreensão iluminada pela fé e que impulsione uma reação mais adequada e justa. Nenhuma dor deve ser ignorada, morte alguma pode ser justificada, somos todos irmãos e capacitados para resolver nossos conflitos com firmeza, porém tendo claro que violência pode gerar mais violência. Não é isso que Deus quer de nós e nem nós mesmos queremos.

Na Páscoa deste ano, ao celebrar a vitória de Jesus Cristo sobre a morte, celebre a vida das pessoas que você ama com a mesma alegria que tomou conta do coração dos discípulos de Jesus. A vivência da fé cristã exige de cada um de nós uma confiança absoluta nas palavras de Jesus: “Não se perturbe o vosso coração, acreditai em Deus e acreditai em mim também” (Jo 14,1). Feliz Páscoa a todos!

Pe. Sergio Lucas

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