Paróquia

Santa Rosa de Lima

Mensagem do pároco › 13/01/2021

O que foi o ano de 2020?

A você, querido irmão, querida irmã, às vésperas de celebrar o nascimento do Salvador.

O que foi o ano de 2020?

Certamente esta não é uma pergunta fácil de responder. Todos vão lembrar e falar das dificuldades vividas, a covid-19, a pandemia e suas consequências… alguns me disseram que foi um ano bom nos negócios, mas sabemos que essa avaliação não se aplica a maioria das pessoas. A partir de pontos de vistas diferentes, encontramos vários olhares para este que chega ao fim deixando um marco na história. Pela variedade de opiniões, compartilho com vocês um pouco da minha percepção pessoal e comunitária deste ano.

Em sua maior parte, 2020 foi para mim um ano de profunda experiência espiritual. Vivi, como a maioria das pessoas, sentimentos diversos: medo, tristeza, solidão, esperança, alegria e muita, muita presença de Deus. Tive medo do que pudesse acontecer às pessoas amadas, fiquei triste com o sofrimento de tantas pessoas que me pediram ajuda, solidão por mim e pelos que ficaram mais isolados, esperança porque o cristão não vive sem esperança, alegria pelas pequenas, e ao mesmo tempo, grandes vitórias e uma constante, absoluta e infinita presença de Deus. Celebrar a missa sem uma única pessoa na igreja é, com certeza, uma das experiências mais marcantes da minha vida não apenas pela ausência em si mesma, mas também pelo que motivou essa ausência. Entretanto, redescobrimos a cada dia a incrível capacidade humana de adaptação. Aos poucos, a tristeza transformou-se em alegria. Era como se eu estivesse com vocês ali na minha frente e, na verdade, vocês estavam aqui, no meu coração. Cada celebração teve um significado profundo de ação de graças, dar graças a Deus por vocês todos, pela unidade formada na fé, pela certeza de Deus em cada lar, em cada pessoa, em cada coração.

Em meio a esse turbilhão de emoções era preciso administrar não somente o emocional e o espiritual, mas também a comunidade concreta nos seus aspectos físico, administrativo, financeiro, trabalhista, legal, social, etc. Foi assustador e preocupante no começo, mas não faltaram dedicação e apoio de pessoas que fizeram um esforço a mais e ajudaram a manter o funcionamento mínimo necessário e possível. Não posso jamais esquecer a reação da comunidade a cada pedido de ajuda. Aos poucos conseguimos estabilizar a situação, o que me deixa muito feliz. Saber que num momento em que a maioria das pessoas enfrenta dificuldades financeiras e, mesmo assim, consegue exercitar o dom da partilha só pode inspirar gratidão. Deixamos de realizar nossas tradicionais festas, mas não deixamos que as tradições cultural e religiosa fossem deletadas. As festas aconteceram principalmente em nossos corações e na nossa união espiritual. Cada momento foi precioso. É certo que, infelizmente, não se pode contar com a compreensão de todos. Alguns poucos não souberam manifestar a tão necessária solidariedade na superação de obstáculos, mas não devemos julgar, talvez tenham motivos que desconhecemos e também por eles rezemos. Vale ressaltar a comum unidade fortalecida num momento de dificuldade comum a todos e deixar que a gratidão brote espontaneamente no coração.

Entre tantos aprendizados, descobrimos que a celebração de Jesus acontece verdadeiramente dentro de cada um de nós, configura-se em sentimentos bons frente a todo e qualquer acontecimento. Em relação aos entes amados que partiram, conforta-nos acreditar na vida junto de Deus, onde não existe sofrimento nem dor. A nós que continuamos nossa peregrinação, resta-nos viver cada dia com a certeza de que nunca estamos sozinhos, o sopro do Espírito que nos deu a vida é o mesmo que renova nossa esperança na celebração de cada Natal. Ninguém precisa de muito esforço para sentir o amor de Deus, talvez precisemos exatamente do contrário: reverenciar com delicadeza e alegria no coração o Príncipe da Paz, entregar-se à vontade do Senhor, como Maria e repousar confiante nas Mãos de Deus. Feliz Natal!

Pe. Sergio Lucas

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